Neste artigo 6 seções
  1. A IA confere, e a venda fecha no site da loja
  2. O que conta como prova
  3. Por onde eu começaria
  4. O melhor argumento contra
  5. Leia também
  6. Fontes e referências

Nesta Black Friday, a IA do consumidor vai conferir a oferta antes de ele pagar, e quase nunca vai comprar por ele. Eu gastaria o esforço em provar que a promoção é real e deixaria o checkout com agente para depois.

A Black Friday cai em 27 de novembro. Na pesquisa Black Friday Talks, da Stefanini Marketing, com mil consumidores e publicada pelo InfoMoney em 18 de setembro, 86% dizem que vão usar IA nas compras. Os usos mais citados são comparar preços (49%) e verificar se a promoção vale a pena (47%), e só 20% aceitariam que a IA concluísse a compra. Duas semanas depois, o Reclame AQUI chegou a 87% e trouxe o dado que mais pesa para quem vende: 64% descartam a recomendação da IA quando a loja indicada tem avaliação ruim, e só 4% seguiriam a indicação sem conferir.

"O consumidor brasileiro de 2026 não quer apenas uma promessa de bom preço. Quer evidências de que a oferta é real", disse ao InfoMoney Guilherme Stefanini, CEO da Stefanini Marketing. Eu concordo, e tiro daí a prioridade da loja.

A IA confere, e a venda fecha no site da loja

No Brasil, a compra feita pelo agente ainda não acontece. O checkout do Google pelo Universal Commerce Protocol, que põe um botão de compra no produto dentro do Modo IA e do Gemini, vale para produtos elegíveis nos EUA, no Canadá e na Austrália. O Instant Checkout do ChatGPT estreou em setembro de 2025 só para usuários e lojas dos EUA, e em março de 2026, segundo o Meio & Mensagem, a OpenAI recuou e passou a mandar a compra para o site do varejista.

O que já funciona por aqui é a descoberta e a comparação, e nelas a vitrine encolhe. A Productrise analisou mais de 2 milhões de listagens nos EUA e no Reino Unido, em agosto, e contou 3,9 produtos por resposta no Modo IA, contra 27,8 na busca comum. Não existe medição parecida no Brasil, mas com quatro opções na tela a loja com dado incompleto sai da lista antes de o cliente ver.

Antes de mexer em dado estruturado, eu conferiria se preço e disponibilidade na página batem com o feed do Merchant Center. Quando os dois dizem coisas diferentes, a loja dá motivo para a IA desconfiar da oferta, e com poucas vagas na resposta isso pesa.

Murilo Souza, especialista de martech

O que conta como prova

Os motivos de descarte na pesquisa do Reclame AQUI mostram o que a IA e o consumidor desconfiado procuram. Depois da avaliação ruim (64%), vêm preço baixo demais (43%), direcionamento para site desconhecido (38%) e pagamento só por PIX ou boleto (31%).

Por que a sugestão da IA é descartadaMotivos para descartar uma loja indicada pela IA, em % dos consumidores, e o que a loja pode mostrar

Motivo do descarte e o que a loja mostra

Loja com avaliação ruima loja mostra: respostas no Reclame AQUI e avaliações recentes

64%

Preço baixo demaisa loja mostra: preço anterior real, coerente com o histórico

43%

Leva a site desconhecidoa loja mostra: CNPJ, endereço e contato em local de destaque

38%

Só aceita PIX ou boletoa loja mostra: cartão e parcelamento entre as opções

31%

Onde o consumidor checa a loja

Reclame AQUI e buscadores empatam com 55% cada. Assistentes de IA ficam com 19%.

Fontes: Reclame AQUI, pesquisa divulgada em 01/10/2026 (Exame Bússola) · amostra não informada · o que a loja mostra: recomendação da Koko

Cada motivo tem resposta na mão da loja:

  • Preço anterior verdadeiro. É com ele que se mede o desconto. Preço cheio inflado na véspera vira desconto falso para quem compara histórico, e o Código de Defesa do Consumidor trata como enganosa a informação capaz de induzir o consumidor a erro sobre preço (art. 37).
  • Troca explicada. Compra online tem 7 dias de arrependimento (art. 49 do CDC), e o Decreto 7.962/2013 manda informar de forma clara e ostensiva como exercer esse direito.
  • Loja identificada. O mesmo decreto exige, em local de destaque, nome empresarial, CNPJ, endereço físico e eletrônico e as condições integrais da oferta. É a resposta ao "site desconhecido".
  • Avaliação recente. Reclamação aberta respondida e pedido de avaliação a quem comprou bem.
  • Cartão entre as opções. Aceitar só PIX é decisão comercial, mas custa a venda de quem chega desconfiado.

Edu Neves, CEO do Reclame AQUI, resumiu assim: "A inteligência artificial resolveu o problema da informação, não o da confiança." Dúvida sobre um caso concreto de preço ou de troca vai para o advogado da loja.

Por onde eu começaria

Pelo prazo. Duas tarefas vencem antes de novembro:

  1. Avaliações de produto no Merchant Center. O programa pede no mínimo 50 avaliações somadas e reenvio da fonte ao menos uma vez por mês. A revisão do Google pode levar algumas semanas e, aprovada a fonte, as notas costumam entrar no ar de 2 a 4 semanas depois.
  2. Preço cheio parado desde outubro. No Shopping do Brasil, o preço riscado só aparece se o preço base valeu por 30 dias nos últimos 200, com desconto entre 5% e 90%. Preço cheio criado em novembro não fecha os 30 dias a tempo.

O resto cabe em novembro: a página de troca aberta sem exigir login, como pede o Google; dados estruturados de produto e oferta, com o preço anterior marcado como preço riscado (o guia de JSON no marketing mostra como ler esse bloco); e a proteção anti-bot da Black Friday sem barrar os robôs dos assistentes (a lista está em como aparecer no ChatGPT). Por último, eu perguntaria ao ChatGPT e ao Gemini o que o cliente perguntaria sobre a loja e anotaria o que viesse errado, porque aponta o dado que falta.

O melhor argumento contra

O número de uso pode estar inflado. Nos dados que o Google apresentou em agosto, com base em pesquisas da Offerwise e da Quantas, cerca de 15% disseram que vão usar IA para pesquisar produtos, acompanhar preços e avaliar ofertas. A pesquisa do Reclame AQUI não informa amostra nem período. Com 15%, daria para deixar a IA para o ano que vem.

Eu não deixaria, porque a lista acima serve aos dois públicos. Na mesma pesquisa do Reclame AQUI, Reclame AQUI e buscadores empatam com 55% como lugar onde o consumidor checa a loja, e os assistentes de IA ficam com 19%. Quem confere pelo buscador procura o mesmo preço anterior, a mesma troca e a mesma reputação que a IA lê. O trabalho vale com 15% ou com 87%.

Se quiser uma segunda leitura de página, feed e dados estruturados antes de 27 de novembro, fala com a gente.

Leia também

Fontes e referências

  1. Stefanini Marketing, Black Friday Talks, no InfoMoney (18/09/2026)
  2. Reclame AQUI na Exame Bússola (01/10/2026)
  3. Google no Propmark (26/08/2026)
  4. PPC Land: estudo da Productrise sobre o Modo IA (01/09/2026)
  5. OpenAI: Instant Checkout no ChatGPT (29/09/2025)
  6. Meio & Mensagem: o recuo do ChatGPT (17/03/2026)
  7. Merchant Center: checkout com UCP
  8. Merchant Center: anotação de preço promocional
  9. Merchant Center: avaliações de produto
  10. Merchant Center: políticas de devolução
  11. Google Search Central: dados estruturados de produto
  12. Planalto: Código de Defesa do Consumidor
  13. Planalto: Decreto 7.962/2013

Como este texto foi feito. Escrito com apoio de IA na pesquisa e no rascunho.

Murilo Souza
Diário do Murilo
Murilo Souza
Especialista em Martech
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